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Estudiante de Haití es atacado en Brasil por razones políticas

Reenvío esta nota de apoyo, por parte de la Universidad de Integración Latinoamericana UNILA, al estudiante haitiano Getho Mondesi, víctima de ataques racistas que incluyeron botellazos y patadas por un grupo aun desconocido en el centro de Foz de Iguaçu – suroccidente de Brasil-, el pasado sábado 14  de mayo.

Las ondas migratorias de haitianxs hacia Brasil desde el terremoto que destruyó al país en 2011 han desatado complejas dinámicas, en las que se incluye no sólo el racismo y el discurso del odio contra muchxs de ellxs, como también su sujeción a los circuitos subterráneos de trabajo precarizado, forzado y análogo a la esclavitud y de la cual la legislación brasileña es vanguardia mundial.

Dejo esta nota para seguir atentxs a esta problemática poco conocida, una prueba más de la articulación entre flujos migratorios forzados entre países de América Latina y las transferencias de valor a las economías centrales o subimperialistas como Brasil.

Valentina Montealegre

Estudiante de Haití es atacado en Foz de Iguazú por razones políticas

Getho Mondesir fue víctima del racismo y sufrió golpes en la mañana del sábado (14/05) en Foz de Iguazú. Según se informa, a las 5:25 am de la mañana getho se dirigió a la parada de taxis de la motocicleta. Su plan era llegar a la estación de buses para abordar un autobús que saldrá desde las 6 am, con destino a Cascavel, donde iba a pasar el fin de semana con su hijo de ocho meses.

Un grupo de atacantes que estaba sentado en una mesa de bar, en la Avenida Brasil, en el centro de la ciudad, comenzaron a fatigar al estudiante, “Mono, sólo estás aquí debido a Dilma, pero ahora vas a tener que volver”, dijo que los atacantes también no identificado. Getho no reaccionó y pese poco conocimiento de portugués, trató de iniciar un diálogo con el grupo. Su reacción fue llamarlo mono y otra vez e ir a por la serie de golpes con botellas de cerveza.

Getho en el suelo siguió sufriendo ataques. Para escapar, corrió a una parada de taxis, donde fue reconocido por uno de los conductores de taxi. El hombre dio los primeros auxilios, llamó a la policía y Getho se remitió al servicio de urgencias de la ciudad.

El estudiante tiene 33 años y asiste al tercer semestre de Administración Pública y Política Pública en la UNILA – Universidad Federal de la Integración Latinoamericana.

Getho llegó desde Haití el 2 de mayo de 2013 y en 2015 fue galardonado por el programa Pro-Haití UNILA. El programa ofrece becas para los inmigrantes haitianos.

 

Estudante haitiano é agredido em Foz do Iguaçu por questões políticas

Getho Mondesir foi vítima de racismo e sofreu espancamento na manhã deste sábado (14/05) em Foz do Iguaçu. Segundo informações, Às 5h25 da manhã, Getho caminhava até o ponto de moto taxi. Seu plano era chegar à rodoviária para embarcar num ônibus que saíria da 6h da manhã, com destino a Cascavel, onde passaria o final de semana com seu filho de oito meses.

Um grupo de agressores que estava sentado numa mesa de bar, na Avenida Brasil, no centro da cidade, começaram a hostilizar o estudante ” Macaco, você só está aqui por causa da Dilma, mas agora você vai ter que voltar” diziam os agressores ainda não identificados. Getho não reagiu e apesar do pouco domínio da língua portuguesa, tentou iniciar um diálogo com o grupo. A reação deles foi chama-lo de macaco repetidas vezes e partir para a série de golpes com garrafas de cerveja.

Ainda no chão, Getho continuou sofrendo agressões. Ao escapar, correu até um ponto de taxi, onde foi reconhecido por um dos taxistas. O homem prestou os primeiros socorros, chamou a polícia e Getho foi encaminhado ao Pronto Socorro da cidade.

O estudante tem 33 anos e cursa o terceiro semestre de Administração Pública e Políticas Públicas, na UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-americana.

Getho chegou do Haiti no dia 2 de maio de 2013 e em 2015 foi contemplado pelo programa Pró-Haiti, da UNILA. O programa oferece bolsas de estudo para imigrantes haitianos.

Fonte: Coletivo Mídia Livre
Fuente: http://fronteiraurgente.com.br/estudante-haitiano-e-agredido-em-foz-do-iguacu-por-questoes-politicas/

Caro Getho

É repugnante o que fizeram com você. Causa indignação e vergonha. Com certeza não foi isso que você sonhou quando veio para Foz do Iguaçu. Muito menos para a UNILA, a Universidade da Integração! Tampouco foi isso que imaginávamos quando vocês chegaram, cheios de esperança, dispostos a recomeçar a vida. Como você sabe, essa não foi a primeira manifestação odiosa de racismo contra os haitianos. Sinto informar que não será a última. Vocês devem estar conscientes e preparados para o que vão enfrentar no futuro próximo, nestes tempos de crispação golpista e regressão autoritária. Preste atenção no que eu vou te dizer, Getho: você poderia estar morto neste momento.

Companheiros seus, que chegaram antes ao Brasil, foram assassinados. Morreram assim como você poderia ter morrido, por acaso, sem motivo aparente. Saiba que o ódio dos teus agressores é irracional e ilimitado. Chamá-los de fascistas seria incorreto, pois implicaria atribuir-lhes uma ideologia que eles são incapazes de entender. Como os animais predadores, eles agem por instinto. Não raciocinam. Mas graças a todos os deuses você não morreu. Você está vivo Getho! Teu sonho sobreviveu, e você seguirá adiante. Mas tome muito cuidado. O Brasil  é um país perigoso. Além de Administração Pública, carreira que você escolheu cursar na UNILA, você teve nessa semana uma aula prática dos perigos que te rodeiam. Que ameaçam a todos vocês. A todos nós. A intolerância racial é uma patologia da alma, uma doença do espírito. Frantz Fanon, com sua autoridade de médico-psiquiatra, sabia o quanto essa doença contagiosa havia penetrado a alma do homem branco, rico e macho. Teus agressores estão doentes. Sofrem dessa moléstia contagiosa.

Eles agem por instinto selvagem. Imaginam que podem espancar qualquer um que encontram pela frente. Principalmente se forem negros, índios, gays, mulheres, velhos e pobres. Pertencem muito provavelmente a uma classe média inculta e vazia, invejosa dos ricos e temerosa dos pobres. Eles estão inseguros por conta das Jéssicas, as filhas das domésticas que passaram a tomar o lugar deles nas universidades. Uma classe média cada vez mais medíocre, consumista, individualista. São uns verdadeiros Zé Ninguém, eterna massa de manobra dos fascistas. Trabalhadores, Getho, não permanecem nos bares até às 5 h da madrugada. Trabalhadores de verdade, como você sabe por experiência própria, trabalham.

Como fizeram teus avós, teus pais e teus ancestrais africanos que foram trazidos à força para cá. Que nasceram, cresceram e morreram trabajando, trabajando, trabajando sí. Por toda la vida trabajando. Os imbecis que te agrediram desconhecem os valores do trabalho. Se trabalham, o fazem mecanicamente, desprovidos da consciência de sua dignidade como trabalhadores, reféns do fantasmagórico fetiche das mercadorias que habitam seus cérebros vazios e consumistas. Sabe por que eles te odeiam Getho? Porque eles têm medo de você, da vida que pulsa em você, do menino que eles não esganaram quando te agrediam covardemente. A tua altivez incomoda a todos eles, a todos os racistas que não te toleram como eles. Eles invejam a tua dignidade. Ela contrasta enormemente com a estreiteza do caráter deles. Por isso eles te odeiam tanto. Por isso eles têm medo de você. Eles temem tua beleza étnica.

Temem tua cultura diversa. Temem teu cosmopolitismo. Nascidos e criados nesses incultos campos de soja, regados a juros subsidiados e a agrotóxico das multinacionais, eles têm o horizonte espiritual das Feiras do Agronegócio. Getho, vamos fazer um trato. Neste triste dia da Bandeira, uma das datas nacionais mais importantes do seu país, vamos combinar entre nós todos que estamos aqui na UNILA, brasileiros, peruanos, chilenos, salvadorenhos, cubanos, colombianos, paraguaios, equatorianos, uruguaios, bolivianos, argentinos, venezuelanos e haitianos, claro, que não vamos descansar enquanto os teus agressores não forem identificados e punidos. Eles são criminosos. Deve haver imagens e testemunhas da agressão que fizeram a você. Vamos encontrá-los e dar a eles o direito de defesa que eles não deram a você enquanto te agrediam. Vamos exigir das autoridades nacionais que eles sejam identificados e presos. Assim espero. É o mínimo que podemos fazer diante da  humilhação que te impuseram. Que impuseram a todos nós. Um forte abraço, meu caro amigo!

José Renato Vieira Martins
Professor de Ciência Política e Sociologia. Universidade Federal da Integração Latino-Americana UNILA. Presidente do Fórum Universitário Mercosul (FOMERCO).

Foz do Iguaçu, 18 de maio de 2016

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